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  O ateliê tem nome em sueco, Källare fem, ou Porão Cinco, homenagem ao país que melhor tratou dois dos três artistas do grupo em seu exílio nos anos 70, a Suécia. E cinco, fem em sueco, porque são três artistas, Carlos Miranda, David Farias e Reinaldo Guarany, com dois espíritos que ainda povoam as lembranças dos ex-guerrilheiros da ALN dos anos 70, Farias e Guarany. Os três acharam por bem oficializar os fantasmas para não serem assombrados na escuridão do porão.

Carlos Miranda é um designer que segue a tradição dos construtivistas russos, e defende uma arte funcional para atender as necessidades da vida moderna. Miranda usa materiais fartamente encontrados no Brasil, e por isso de baixo custo (preço baixo que é repassado para o comprador final), e se preocupa em desenvolver móveis com um desenho adequado aos espaços de hoje.

David Farias é um pintor e escultor que nos anos de exílio na Europa tentou exorcizar na pintura os espíritos do passado e chegou à descoberta da pintura premonitória, que Eric Hobsbawm descreveu em Era dos Extremos: “se acredita que essas artes previram o colapso da sociedade liberal-burguesa com vários anos de antecedência”. Até hoje Farias se dedica à busca do futuro.

Reinaldo Guarany é um pintor que sempre dá um toque de non sens em seus quadros, talvez herança do absurdo dos loucos anos 60-70, em que morou em seis países e mais de 70 lugares. Hoje, depois de haver trocado a pistola pelo pincel, o pintor Guarany reinventa a realidade na tela já que não pôde mudá-la na prática. E esse é seu truque. Como ele diz: “em cada quadro, um segredo”.

 

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